Pesquisa em colaboração entre Universidade Federal de Santa Catarina, SuperGrafeno LTDA e Kröten Ecotintas resulta em inovadora tinta antichamas ecológica

14/02/2025 16:00

Desde 2021, a parceria entre o Laboratório de Energia e Meio Ambiente (LEMA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a empresa catarinense SuperGrafeno e Kröten Ecotintas tem gerado importantes contribuições para o avanço dos materiais de última geração, com foco na aplicação do grafeno e seus derivados. Este esforço conjunto, com o apoio da FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina), culminou em uma inovação significativa para o mercado em 2024: uma tinta mineral antichamas mais eficiente e ecológica.

O projeto Tintas minerais para uma geração verde: Soluções ecológicas com tecnologia de grafeno foi conduzido pela Dr.ª Júlia da Silveira Salla e pelas professoras Regina de Fátima Peralta Muniz Moreira e Rosely Aparecida Peralta, e teve como objetivo explorar as aplicações do óxido de grafeno como aditivo de tinta mineral ecossílica da Kröten Ecotintas.

A inovação no combate ao fogo

A pesquisa se concentrou em avaliar a eficácia da tinta mineral ecossílicaaditivada aditivada com óxido de grafeno para conferir propriedades antichamas superiores. A Dr.ª Júlia da Silveira Salla detalhou que, nos testes de resistência ao fogo, as superfícies recobertas com a tinta mineral ecossílica desenvolvida neste estudo demonstraram um desempenho notável. “As superfícies recobertas com a tinta mineral aditivada mantiveram a temperatura da superfície consideravelmente mais baixa do que aquelas recobertas com tinta mineral comercial”, explica Dr.ª Júlia. Além disso, quando comparada a uma tinta intumescente comercial, a nova fórmula também apresentou desempenho superior, reforçando seu potencial para competir com produtos similares no mercado.

A influência do óxido de grafeno

Os resultados mostraram que as tintas minerais ecossílica contendo 1% de óxido de grafeno apresentaram um desempenho superior em relação às versões com 0,5% de óxido de grafeno. Isso indica que concentrações mais altas de óxido de grafeno têm o potencial de limitar de forma mais eficaz o aumento da temperatura em superfícies expostas ao fogo, oferecendo uma solução inovadora e mais eficiente para a proteção contra incêndios.

Além disso, a determinação do índice de resistência ao calor das tintas minerais, usado para medir estabilidade térmica dos recobrimentos preparados, revelou que a tinta mineral contendo 1% de óxido de grafeno apresentou o melhor desempenho, destacando-se pela sua estabilidade térmica superior e capacidade de resistir ao calor de forma mais eficiente.

Benefícios ambientais e tecnológicos

A colaboração entre UFSC, SuperGrafeno e Kröten Ecotintas, com apoio da FAPESC, representa um avanço significativo para a indústria de tintas e materiais de construção. A utilização de grafeno/óxido de grafeno como aditivo da tinta mineral, um material com propriedades excepcionais de resistência e condutividade térmica, não só contribui para melhorar a segurança contra incêndios, mas também abre caminho para soluções mais sustentáveis e ecológicas, alinhadas com as demandas da chamada “geração verde”.

Essa nova tinta mineral antichamas não é apenas mais eficiente, mas também representa um marco no desenvolvimento de materiais de baixo impacto ambiental. O uso de óxido de grafeno, dentro de um contexto de economia circular e sustentabilidade, abre portas para o desenvolvimento de novos produtos que atendem às crescentes exigências de mercado por inovação aliada à responsabilidade ambiental.

A pesquisa tem o potencial de transformar não apenas a indústria de tintas, mas também a forma como lidamos com materiais de construção mais seguros e ecológicos. A expectativa é que, nos próximos anos, essa inovação seja amplamente adotada, trazendo benefícios tanto em termos de desempenho quanto de impacto ambiental.

Com o sucesso dessa colaboração, o futuro das tintas minerais antichamas ecológicas e da aplicação de grafeno em soluções industriais parece ainda mais promissor.

1Sobre os autores

Júlia da Silveira Salla

Júlia da Silveira Salla

 

Júlia da Silveira Salla é Engenheira Química, com mestrado e doutorado em Engenharia Química.  Atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina.

Gabriel Lincon da Rocha

Gabriel Lincoln de Oliveira é Físico e Design Mecânico Industrial. Desde 2020 é CEO da SuperGrafeno, uma startup dedicada ao avanço da pesquisa e aplicação do Grafeno.

Kacile Anastácio Gomes

Kacile Anastácio Gomes, é graduada em polímeros, pós graduada em Engenharia da Produção. Atua no mercado de tintas desde de 1998. Desde 2014 é P&D da Kröten Ecotintas, a empresa líder em Tintas Minerais no Brasil.

Rosely Aparecida Peralta

Rosely Aparecida Peralta é Engenheira Química com mestrado em Engenharia Mecânica e doutorado em Química. É professora Associada na Universidade Federal de Santa Catarina, e atua no Programa de Pós-Graduação em Química (UFSC), com ênfase em Química Bio-Inorgânica.

Regina Peralta Moreira

 

 

Regina de Fatima Peralta Muniz Moreira é Engenheira Química com mestrado e doutora em Química. Professora Titular na Universidade Federal de Santa Catarina, atua nos Programas de Pós-graduação em Química e Pós-Graduação em Engenharia Química (UFSC), com ênfase em processos químicos aplicados à proteção ambiental e energias renováveis.
Tags: Projeto